Atitudes de infidelidade ou de uma noiva apaixonada?
Por Lidia Loback
O termo INFIDELIDADE é muito conhecido na Igreja no que se refere à dizimo e ofertas. Quando a pessoa não dá a oferta que deveria ou o dízimo, dizemos que a mesma é INFIEL.
O uso deste termo para o que “rouba a Deus” é correto, porém a infidelidade na Bíblia é usada, também, para descrever quando aquela pessoa que entregou sua vida a Jesus passa a viver sob o domínio do pecado.
Em Jeremias 2. 1- 8, Deus faz um relato do tempo da fidelidade de Israel e como isso ser perdeu. Perceba que em Jer. 2. 2 diz: “Eu me lembro de sua fidelidade quando você era jovem: como noiva, você me amava e me seguia pelo deserto, por uma terra não semeada”
- 1. Como noiva, você me amava.
Em vários momentos, na Bíblia, Deus descreve esse amor como de um noivado, uma relação afetuosa e apaixonante. O Livro de Cantares expõe os anseios de um noivo e noiva e no livro de Salmos 45, 10, 13 e 14 diz:
“Ouça, ó filha, considere e incline os seus ouvidos: Esqueça o seu povo e a casa paterna. Cheia de esplendor está a princesa em seus aposentos, com vestes enfeitadas de ouro. Em roupas bordadas é conduzida ao rei, acompanhada de um cortejo de virgens; são levadas à tua presença.”
Deus quer que o desejemos como a noiva aguarda ansiosamente pelo casamento, como deseja ver o noivo, como espera por sua presença, pois, somos Igreja do Senhor e, portanto, noiva do Cordeiro! Apoc. 21.2-9.
- 2. Me seguia pelo deserto, por uma terra não semeada
Este tópico fala sobre direção. Quando amamos a Deus o seguimos! Em Lucas 9.23 diz: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Em Joao 10.27, Jesus afirma: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem”.
Às vezes consideramos fácil seguir Jesus, especialmente quando as coisas vão muito bem. Quando não precisamos abrir mão de nada, quando não dói. Mas o caminho de quem ama Jesus é um caminho de “perdas”. Perder a velha natureza, perder amigos, perder velhos hábitos. E quando passamos pelo processo de perdas, pensamos em desistir.
Quando Deus fala que o povo O seguia pelo deserto, por uma terra não semeada, estava dizendo da dependência que o povo tinha dele. O pão de cada dia vinha de Deus. Quando lhes apetecia comer carne Deus mandava codornizes. Quando estavam com sede Deus mandava Moisés falar à rocha. O deserto representou um momento muito importante na vida do povo de Israel, foi o tempo em que viram inúmeros milagres.
Mas, mesmo no deserto pecaram. Fizeram o bezerro de ouro (Exodo 32) e murmuraram tanto que Deus não deixou que nenhum daquela geração entrasse na terra prometida, exceto Josué e Calebe.
Depois que outra geração entrou na terra prometida, continuaram a pecar e este texto de Jeremias fala desta INFIDELIDADE.
Jeremias 2. 13: O meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva; e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retém água”
- 1. Me abandonaram (fonte de água viva)
João 4.7: Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você teria lhe pedido e ele lhe teria dado água viva, disse Jesus a samaritana quando esta veio pegar água no poço. Ele não deseja que fiquemos sedentos e se apresenta como alguém que pode saciar de vez esta sede.
Israel havia presenciado inúmeros milagres mesmo assim abandonou ao Senhor. O povo viu, ouviu, testemunhou, falou…, mas não viveu!
Mateus 7.21-23: “Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que FAZ a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal”.
Segundo o autor Ricardo Barbosa no artigo “Não basta dizer, é preciso fazer” (Ultimato, agosto – setembro 2011): “A casa que cai é composta por crentes que consideram as palavras de Jesus bonitas para se ouvir, boas para se falar e ensinar, mas irreais para serem praticadas”. Ele ainda cita C.S. Lewis em O grande abismo: Só há duas espécies de pessoas no final: as que dizem a Deus: “Seja feita a tua vontade”, e aqueles a quem Deus diz: “A tua vontade seja feita”. Todos os que estão no inferno foi porque o escolheram. Sem essa autoescolha não haveria inferno.
Abandonar a água viva é certeza de uma vida longe de Deus. O abandono acontece por alguém que ‘estava com algo’. O abandono na casa de Deus acontece com pessoas que o seguiam, o amavam e bebiam dessa fonte, mas que de repente, a fonte começou a ser insuficiente, ou a pessoa se tornou independente e autossuficiente para permanecer de pé, sozinha. Por isso, cai.
- 2. Cavaram suas próprias cisternas (cisternas rachadas)
A queda se dá quando cavamos nossas próprias cisternas. Quando alguém peca sempre há a justificativa de culpar o momento, a situação, a pessoa envolvida, o tempo, o diabo, enfim, culpados não faltam… É raro alguém dizer: pequei porque fui infiel (traíra, na linguagem dos jovens). E por mais que dizemos que todos pecamos (até justificamos nossos erros com este versículo de Rm. 3.23), a partir do momento que vivemos saciando a vontade da natureza pecaminosa estamos nos distanciando de Deus!
Cisternas rachadas que não retém agua da chuva não servem para nada! Um coração e uma mente que não esteja cativa à obediência de Cristo não reterão os ensinamentos e os mandamentos de Jesus. E um coração e uma mente que não esteja CHEIO dos princípios de Jesus estará sujeita a uma vida de aventuras pecaminosas:
“Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas, ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torna-lo obediente a Cristo. E estaremos prontos para punir todo ato de desobediência, uma vez estando completa a obediência de vocês.” II Cor. 10.3-6.
CONCLUSÃO
É hora de refletir! Se estamos nos comportando como noiva apaixonada ou se estamos sendo infiéis, vivendo apenas de palavras, com atitudes que não condizem com o que sabemos e ensinamos.
Este é o tempo de arrepender-nos. Em Apoc. 2. 4 e 5, Deus diz à Igreja de Éfeso: “Contra você, porém, tenho isto: Você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele.”
A infidelidade não precisa ser um ato contínuo em nossas vidas. Ela pode ser banida se houver arrependimento. Em Isaías 1. 18 e 19 diz: Venham, vamos refletir juntos, diz o Senhor. “Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão. Se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra (…)”.